O ônibus chegou à rodoviária mais cedo do que eu esperava e
ainda estava de madrugada quando desembarcamos. Ainda estou assustado com a
noite anterior e não estou acreditando no que eu disse de madrugada. Eu me
lembrava de pedaços da minha discussão com Gelsinho no ônibus, mas achava que
aquilo era um sonho até o Gelsinho acordar puto da vida comigo.
– Cara, quanto de Lorazepam você tomou ontem à noite? –
Gelsinho me pergunta com um tom de voz que não dá pra distinguir se ele está
falando sério ou brincando com a minha cara. – Você se lembra do que você disse
ontem à noite?
– O que é que eu disse ontem à noite cara? – Pergunto ainda
com sono e me sentindo como se eu tivesse sido pisoteado por uma manada de
gnus.
– Deixa eu te lembrar do que você disse “Tu deve ter pegado
meu Lorazepam, pra estar viajando assim que nem eu, cara, foi só um sonho, uma
viagem, nós estamos mentalmente exaustos e não vamos voltar para o Rio.”.