31/01/2013

O Cachorro do Vizinho - Manicômio e Glorinha


Não consigo ver nada, está tão escuro que parece que eu posso tocar a escuridão. Ando meio tonto por causa do Lorazepam e caço alguma parede, alguma coisa pra me apoiar. Depois de ficar por meia hora andando com as mãos na frente, eu consigo achar uma parede que convenientemente tem um interruptor. Eu ligo o interruptor e tudo explode em uma luz branca.

Gradualmente a luz branca diminui e tudo ao meu redor ganha cores pesadas. As paredes o teto são manchados de infiltrações, e olhando para o chão tem-se a impressão de que ele já foi branco. Estou em um corredor comprido, e mesmo com um silêncio assustador, eu sinto algo me chamando a ir em frente.

Avanço e começo a ouvir uma musiquinha enjoada que vai aumentando quanto mais eu avanço pelo corredor. Ao longe consigo vislumbrar uma porta de madeira, e quando chego mais perto, vejo que ela não está trancada. O som da música enjoada é abafado pela pesada porta de madeira. Hesito em abrir, mas minha curiosidade vence e entro no que parece ser um espaço de convivência. Há várias pessoas com comportamentos estranhos, uma delas está andando de quatro perseguindo moças novas, outro está escutando um radinho de pilha e parece estar tão entretido que está com os olhos virados e falando com o rádio. Todos usam roupas que parecem pijamas, e quando vejo uma enfermeira percebo que aquilo é um hospício. A partir daí eu perco todo controle sobre mim, meu corpo não responde aos comandos do meu cérebro.

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06/01/2013

O Cachorro do Vizinho – Buraco no Chão


– Como?! – Eu pergunto como se eu não tivesse entendido.

– Você é neto do Tonho, mas pelo amor de Deus, não conta isso pra ninguém, já foi difícil esconder isso do Altair quando ele tava vivo, mas seu pai não sabe e nem pode saber. – Minha vó responde quase chorando.

– Mas como pode isso vó? Aquele véio maluco sabe que o Jhonny é neto dele? – Gelsinho pergunta calmamente, mas quase passado para o desespero.

– Ele sabe sim, e é por isso que o maldito do cachorro dele vem atormentando vocês.

– Mas o que eu tenho a ver com essa história toda, se nem neto de sangue da senhora eu sou? – Gelsinho pergunta já desesperado.

– É vó. Por que o Gelsinho tá envolvido nesse rolo também? – Eu também pergunto tentando me controlar.

– O desgraçado sabe que eu te amo como se você fosse meu neto Gelsinho, ele está fazendo isso para me atingir e atingir vocês dois.

– E por que meu pai não está tendo esses pesadelos também? Ele é filho do Tonho, ele também tinha que ter pesadelos com o Hades né?

– Lembra quando o Gelsinho foi atacado pelo Hades há seis anos? Seu pai não viu, mas você viu o véio dando chicotada no chão, e do jeito que aquele véio mexe com bruxaria, ele sabe o que você viu, e sabe que as únicas pessoas que acreditaram quando você disse isso fomos eu e Gelsinho.

– Mas vó, o que a gente pode fazer pra acabar com essa merda toda? – Gelsinho pergunta quase chorando.

– Há dois modos. O primeiro modo é alguém nós matar o cachorro.

– Como você sabe que temos que matar o cachorro?

– Também tenho os mesmos pesadelos, esqueceu? E o segundo modo é o mais fácil, mas também é aquele que vai acabar com a família, que é falar para o seu pai que ele é filho do Tonho e depois para os seus tios, e esse eu não vou fazer de jeito nenhum.

Um silêncio assustador se faz na casa da vó Mariana e do nada eu ouço latidos. Pergunto se alguém ouviu os latidos, mas nem minha vó e nem Gelsinho ouviram o latido. Os latidos começam a ficar mais altos e se transformam em uivos, e agora minha vó e Gelsinho podem ouvi-los.

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