Não consigo ver nada, está tão
escuro que parece que eu posso tocar a escuridão. Ando meio tonto por causa do
Lorazepam e caço alguma parede, alguma coisa pra me apoiar. Depois de ficar por
meia hora andando com as mãos na frente, eu consigo achar uma parede que
convenientemente tem um interruptor. Eu ligo o interruptor e tudo explode em
uma luz branca.
Gradualmente a luz branca diminui
e tudo ao meu redor ganha cores pesadas. As paredes o teto são manchados de
infiltrações, e olhando para o chão tem-se a impressão de que ele já foi
branco. Estou em um corredor comprido, e mesmo com um silêncio assustador, eu
sinto algo me chamando a ir em frente.
Avanço e começo a ouvir uma
musiquinha enjoada que vai aumentando quanto mais eu avanço pelo corredor. Ao
longe consigo vislumbrar uma porta de madeira, e quando chego mais perto, vejo
que ela não está trancada. O som da música enjoada é abafado pela pesada porta
de madeira. Hesito em abrir, mas minha curiosidade vence e entro no que parece
ser um espaço de convivência. Há várias pessoas com comportamentos estranhos,
uma delas está andando de quatro perseguindo moças novas, outro está escutando
um radinho de pilha e parece estar tão entretido que está com os olhos virados
e falando com o rádio. Todos usam roupas que parecem pijamas, e quando vejo uma
enfermeira percebo que aquilo é um hospício. A partir daí eu perco todo
controle sobre mim, meu corpo não responde aos comandos do meu cérebro.