Até hoje eu fico imaginando o que eu tinha de especial para aquilo acontecer naquela noite fria. Foi nessa noite que eu me tornei o que eu sou hoje. Durante a leitura você saberá o porquê eu falei isso. Sei que você deve estar curioso para saber o que aconteceu naquela noite e depois dela. Então eu vou deixar de lero-lero e vou contar o que me aconteceu naquela noite e nos anos seguintes.
Era uma sexta-feira, e como sempre, tinha uma festa para eu ir à noite. Fui à festa, mas estava muito parada, não aguentei ficar lá, depois de uma hora eu fui embora, isso já era quase meia noite. Chegando a minha rua, ela estava deserta, também né, quase meia noite, um frio, quem estaria fora de casa?
Quando eu já estava chegando perto do meu portão, do nada apareceu um lobo. Um lobo branco muito bonito. Não sei o que deu em mim, mas eu chamei o lobo sem perceber o perigo, mas ele nem me deu atenção, então dei de ombros e fui pegar a chave para abrir meu portão e quando eu fui olhar para o lobo, ele havia se transformado num lobo antropozoomórfico (ser com aspectos humanos e animais simultaneamente), parecia um ser humano com cabeça e patas de lobo. Mas o mais estranho foi ele começar a falar, mas ele falava numa língua estranha que eu não estava entendendo praticamente nada. Parecia que ele estava recitando uma profecia ou invocando alguma coisa. Logo após ele parar de falar surgiu na mão dele um triângulo dourado com inscrições em baixo relevo que pareciam ser uma escrita antiga.
Não sei o que aconteceu enquanto eu olhava para o triângulo, mas quando eu percebi, eu estava sem blusa, ela havia sumido, e no meu peito tinha um buraco em forma de triângulo com as mesmas inscrições que estavam no triângulo dourado, só que em alto relevo.
Do nada, uma força me empurrou para perto do lobo e ele colocou o triângulo no meu peito e eu comecei a ouvi-lo falar em minha língua, ele disse:
– Marcos, filho de Marcos e Sara, você foi escolhido para hospedar o meu poder, eu sou Reclus, o Rei do Ártico. Esse triângulo é a fonte de todo o meu poder, esse triângulo é o Tryeugolʹnik Arktiki. As pessoas a quem eu dou esse triângulo, recebem meu poder e eu me hospedo nela. Uma vez encaixado o triângulo em seu peito, eu só sairei de seu corpo em sua morte.
Após o cachorro terminar de falar, não deu tempo nem de eu fazer uma pergunta, o Tryeugolʹnik Arktiki começou a sugar Reclus para dentro de mim. Depois disso só me lembro de estar deitado na minha varanda de manhã, com a minha Mãe gritando:
– Marcos! Marcos! Vem aqui na varanda logo, teu filho tá caído aqui!
Meu Pai saiu correndo de casa para ajudar minha Mãe a me pôr na minha cama. Quando eu finalmente recobrei os sentidos já eram seis horas da noite. Minha Mãe entrou no meu quarto e perguntou:
– O que você fez para chegar tão ruim assim ontem que você até caiu na varanda?
– Não me lembro, só me lembro da festa chata pacas, e quando eu fui embora dela, depois eu só lembro de um triângulo dourado e da varanda.
– Que triângulo dourado?
– Sei lá Mãe, acho que foi sonho.
– Estranho.
Incrível como naquela hora eu tinha esquecido tudo o que me aconteceu na noite anterior, não me lembrava de nada, só do triângulo. Levantei-me e fui tomar um banho. Durante o banho, percebi que eu estava um pouco mais corpudo. Eu sempre fui magro, um palito, e de repente eu ganhei massa corporal. Eu estranhei. Depois do banho, percebi também que meus caninos haviam crescido. Então houve um terremoto dentro do meu banheiro e...
Continua
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