02/12/2012

O Cachorro do Vizinho – Uma Viagem Tranquila (Ou Não)

– TAQUEPARIU! Quando é que você vai me deixar em paz bicho maldito? – Grito.


– Assim que você morrer. – Responde Hades em meio a uma crise de risos assustadores.

– Tá falando com quem Jhonny? – Minha mãe pergunta subindo as escadas.

– Com ninguém – Respondo desviando o olhar da câmera e quando volto a olhá-la, Hades sumiu e é só a Glória dançando. – Só pensando alto.

Termino de arrumar minhas malas, e tomo banho, pois vou sair de casa com algumas horas de antecedência. Enquanto tomo banho, minha mãe acaba de assar um bolo pra eu levar na viagem. Meu pai chegou mais cedo hoje pra me levar na rodoviária, já que agora ele tem carro. E pelo visto chegou apressado, pois já foi logo berrando para eu não demorar no banheiro.

– Vou chamar o Gelsinho, daqui a pouco eu tô de volta, tá pai.

– Tá, vai lá, mas volta rápido que temos que sair daqui a pouco.

Saio de casa pra chamar o Gelsinho, e ele já está saindo com sua mala. Não sei como ele conseguiu fazer tudo aquilo caber dentro da mala (ele colocou muitos jogos para XBOX 360, e quando eu digo muitos, quer dizer que são muitos mesmo, além do próprio XBOX 360). Ele vem em direção a minha casa.

– Mas é muito lerdo mesmo né, rápido que daqui a pouco meu pai tá tirando o carro da garagem hein.

– Peraí cacete! Isso aqui tá pesado, vem cá me ajudar a carregar essa bosta aqui.

Ajudo o Gelsinho a trazer a mala dele pro meu portão, já falei pra ele que mala de rodinhas é muito melhor que essa de alça que ele tem.

– Aí, de novo eu vi o bicho. – Digo baixo para o pessoal da rua não escutar e achar que eu sou doido.

– Quando?

– Antes do banho, fui pegar a câmera e resolvi ver uns vídeos que eu gravei e então o cachorro apareceu no meio da tela e falou comigo.

– Cara, nem me fale mais desse demônio que o que mais quero é esquecer esse bicho.


Meu pai me chama para abrir o portão. Ele põe o carro pra fora e abre o porta-malas, faz piada com a bolsa do Gelsinho e depois partimos para a rodoviária. Hora de embarque e ainda bem que eu me despedi da minha mãe em casa, senão seria uma choradeira da parte dela. Meu pai se despede de mim e do Gelsinho e nós embarcamos.

Depois de algum tempo dentro do ônibus eu cochilo, e só acordo quando minha cabeça bate na janela. Consigo me levantar sem acordar o Gelsinho dou uma ida ao banheiro. Faço tudo o que tinha que fazer e na hora de lavar a mão eu olho no espelho e vejo meu rosto de distorcendo e tomando a forma do Hades, mas eu estou com tanto sono e tão sob o efeito do Lorazepam que eu nem ligo se eu tô vendo Hades no espelho. Mas esse Hades está diferente, está com cara de filhote, embora o corpo continue parecendo o de um cachorro bombado. Eu começo a puxar a assunto com o bicho, mesmo que isso pareça sem sentido.

– E aí cachorrinho, qual é a boa?

– A minha versão física quer te matar. – Ele fala com uma voz que parece de criança.

– Tá, e qual é a novidade?

– Se você quiser se livrar desse encosto vai ter que voltar para o Rio e me matar.

– De jeito nenhum, eu já sei que isso é de mentira, isso deve algumas das minhas viagens mentais, você é 
fruto da minha imaginação, acho que já posso acordar né?

– Você já foi avisado.

E a imagem do espelho volta a ser o meu reflexo. Concluo que aquilo foi mesmo uma viagem devido ao sono e eu volto tranquilo para minha poltrona. Chego a minha poltrona e o Gelsinho está acordado, ele está com cara de assustado, está tão engraçado que eu tenho que segurar um riso.

– Eu o vi de novo, nós temos que voltar pro Rio. – Diz Gelsinho como se ele também tivesse recebido o aviso.

– Tu deve ter pegado meu Lorazepam, pra estar viajando assim que nem eu, cara, foi só um sonho, uma viagem, nós estamos mentalmente exaustos e não vamos voltar para o Rio.

– Mas eu vi, e o ouvi falando com aquela voz de demônio que se eu quiser...

– Me livrar desse encosto vou ter que voltar ao Rio e o matar. – Não deixo Gelsinho terminar a frase. – 

Percebe o quanto isso parece ridículo? – Minha voz soa como a de um bêbado tentando não fazer muito barulho.

– É você que diz que o véio fez macumba pra nós, e agora tá falando que é viagem por causa do 
Lorazepam.

– Cara, pega aí um comprimido de Lorazepam e volta a dormir que eu não quero arrumar briga contigo essa noite.

– Não preciso disso aí para dormir.

Ajeito-me na poltrona e confiro o relógio, 04h10min da manhã, então sinto uma pancada na testa e acordo, olho para o relógio e ele marca 03h50min. Olho para o lado, e vejo Gelsinho morgado na poltrona virado para o lado do corredor. Volto a olhar pela janela e vejo o Hades correndo e cantando:

– Você vai morrer, você vai morrer, eu vou te matar e você vai morrer.

Fecho os olhos, respiro fundo, e volto a abrir os olhos, e o único som que eu ouço são os roncos dos passageiros.

Continua

Capítulo Seguinte: “O Que Você tem a Ver com Essa História Toda?”
Capítulo Anterior: Eu Mato Aquele Demônio

Um comentário:

  1. TAQUEPARIL KKKKKKKKKKKKKKK
    KKKKKK tá parecendo o jhon e o nove tendo o mesmo sonho e um discordando do outro.

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