– TAQUEPARIU! Quando é que você vai me deixar em paz bicho
maldito? – Grito.
– Assim que você morrer. – Responde Hades em meio a uma
crise de risos assustadores.
– Tá falando com quem Jhonny? – Minha mãe pergunta subindo
as escadas.
– Com ninguém – Respondo desviando o olhar da câmera e
quando volto a olhá-la, Hades sumiu e é só a Glória dançando. – Só pensando
alto.
Termino de arrumar minhas malas, e tomo banho, pois vou sair
de casa com algumas horas de antecedência. Enquanto tomo banho, minha mãe acaba
de assar um bolo pra eu levar na viagem. Meu pai chegou mais cedo hoje pra me
levar na rodoviária, já que agora ele tem carro. E pelo visto chegou apressado,
pois já foi logo berrando para eu não demorar no banheiro.
– Vou chamar o Gelsinho, daqui a pouco eu tô de volta, tá
pai.
– Tá, vai lá, mas volta rápido que temos que sair daqui a
pouco.
Saio de casa pra chamar o Gelsinho, e ele já está saindo com
sua mala. Não sei como ele conseguiu fazer tudo aquilo caber dentro da mala
(ele colocou muitos jogos para XBOX 360, e quando eu digo muitos, quer dizer
que são muitos mesmo, além do próprio XBOX 360). Ele vem em direção a minha
casa.
– Mas é muito lerdo mesmo né, rápido que daqui a pouco meu
pai tá tirando o carro da garagem hein.
– Peraí cacete! Isso aqui tá pesado, vem cá me ajudar a
carregar essa bosta aqui.
Ajudo o Gelsinho a trazer a mala dele pro meu portão, já
falei pra ele que mala de rodinhas é muito melhor que essa de alça que ele tem.
– Aí, de novo eu vi o bicho. – Digo baixo para o pessoal da
rua não escutar e achar que eu sou doido.
– Quando?
– Antes do banho, fui pegar a câmera e resolvi ver uns
vídeos que eu gravei e então o cachorro apareceu no meio da tela e falou
comigo.
– Cara, nem me fale mais desse demônio que o que mais quero
é esquecer esse bicho.
Meu pai me chama para abrir o portão. Ele põe o carro pra fora e
abre o porta-malas, faz piada com a bolsa do Gelsinho e depois partimos para a
rodoviária. Hora de embarque e ainda bem que eu me despedi da minha mãe em casa,
senão seria uma choradeira da parte dela. Meu pai se despede de mim e do
Gelsinho e nós embarcamos.
Depois de algum tempo dentro do ônibus eu cochilo, e só
acordo quando minha cabeça bate na janela. Consigo me levantar sem acordar o
Gelsinho dou uma ida ao banheiro. Faço tudo o que tinha que fazer e na hora de
lavar a mão eu olho no espelho e vejo meu rosto de distorcendo e tomando a
forma do Hades, mas eu estou com tanto sono e tão sob o efeito do Lorazepam que
eu nem ligo se eu tô vendo Hades no espelho. Mas esse Hades está diferente,
está com cara de filhote, embora o corpo continue parecendo o de um cachorro
bombado. Eu começo a puxar a assunto com o bicho, mesmo que isso pareça sem
sentido.
– E aí cachorrinho, qual é a boa?
– A minha versão física quer te matar. – Ele fala com uma
voz que parece de criança.
– Tá, e qual é a novidade?
– Se você quiser se livrar desse encosto vai ter que voltar
para o Rio e me matar.
– De jeito nenhum, eu já sei que isso é de mentira, isso deve
algumas das minhas viagens mentais, você é
fruto da minha imaginação, acho que
já posso acordar né?
– Você já foi avisado.
E a imagem do espelho volta a ser o meu reflexo. Concluo que
aquilo foi mesmo uma viagem devido ao sono e eu volto tranquilo para minha
poltrona. Chego a minha poltrona e o Gelsinho está acordado, ele está com cara
de assustado, está tão engraçado que eu tenho que segurar um riso.
– Eu o vi de novo, nós temos que voltar pro Rio. – Diz Gelsinho
como se ele também tivesse recebido o aviso.
– Tu deve ter pegado meu Lorazepam, pra estar viajando assim
que nem eu, cara, foi só um sonho, uma viagem, nós estamos mentalmente exaustos
e não vamos voltar para o Rio.
– Mas eu vi, e o ouvi falando com aquela voz de demônio que
se eu quiser...
– Me livrar desse encosto vou ter que voltar ao Rio e o
matar. – Não deixo Gelsinho terminar a frase. –
Percebe o quanto isso parece
ridículo? – Minha voz soa como a de um bêbado tentando não fazer muito barulho.
– É você que diz que o véio fez macumba pra nós, e agora tá
falando que é viagem por causa do
Lorazepam.
– Cara, pega aí um comprimido de Lorazepam e volta a dormir
que eu não quero arrumar briga contigo essa noite.
– Não preciso disso aí para dormir.
Ajeito-me na poltrona e confiro o relógio, 04h10min da
manhã, então sinto uma pancada na testa e acordo, olho para o relógio e ele
marca 03h50min. Olho para o lado, e vejo Gelsinho morgado na poltrona virado
para o lado do corredor. Volto a olhar pela janela e vejo o Hades correndo e
cantando:
– Você vai morrer, você vai morrer, eu vou te matar e você
vai morrer.
Fecho os olhos, respiro fundo, e volto a abrir os olhos, e o
único som que eu ouço são os roncos dos passageiros.
Continua
Capítulo Seguinte: “O Que Você tem a Ver com Essa História Toda?”
Capítulo Anterior: Eu Mato Aquele Demônio
Continua
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TAQUEPARIL KKKKKKKKKKKKKKK
ResponderExcluirKKKKKK tá parecendo o jhon e o nove tendo o mesmo sonho e um discordando do outro.